Divagações: Ruby Gillman, Teenage Kraken

Em uma temporada em que os fãs de animação têm opções de sobra, Ruby Gillman, Teenage Kraken chega aos cinemas depois de produções indubita...

Ruby Gillman, Teenage Kraken
Em uma temporada em que os fãs de animação têm opções de sobra, Ruby Gillman, Teenage Kraken chega aos cinemas depois de produções indubitavelmente maiores e cercadas por mais empolgação. Mas, considerando que a Dreamworks Animation teve um lançamento verdadeiramente especial no fim ano passado com Puss in Boots: The Last Wish, além do relativamente bem recebido The Bad Guys, restava a esperança de que este filme mantivesse a boa fase do estúdio.

Ruby Gillman, Teenage Kraken tem um começo bastante forte, que bebe dos filmes adolescentes de John Hughes e do clássico estereotipo do peixe fora d’água (um trocadilho proposital, sem dúvida). Nele, a tímida Ruby (Lana Condor/Agatha Paulita) e sua família de criaturas marinhas tentam se esconder na superfície disfarçados de humanos. Mas as coisas mudam quando Ruby descobre a razão da postura excessivamente protetiva da mãe (Toni Collette).

Ao ter contato com o oceano, a linhagem ancestral da jovem como um kraken gigante se desperta. Isso chama a atenção tanto da parte mais distante da família – a realeza do mundo submarino –, quanto de uma das remanescentes das sereias, Chelsea (Annie Murphy/Giovanna Lancellotti), que parece querer se aproximar de Ruby a despeito do conflito de sua raça com os krakens.

Com uma animação dinâmica, um visual interessante e um senso estético próprio, Ruby Gillman, Teenage Kraken pode não ser extraordinário, mas é competente nos seus aspectos mais técnicos – ao menos enquanto a história permanece na superfície. Estranhamente (talvez por problemas de produção), o longa-metragem falha em executar justamente o elemento com mais potencial da sua ambientação: o oceano.

Frequentemente vazio e desinteressante, o fundo do mar tem uma iluminação esquisita, que destrói as texturas e faz com que os personagens pareçam ter saído de uma animação de mais de uma década atrás. Isso é especialmente estranho considerando todo o cuidado que o filme tem com a arquitetura e o clima das suas cenas na superfície.

Aliás, a história também se situa no limiar da competência. Ainda que seja divertida e interessante em alguns momentos, ela se resolve dos modos mais previsíveis possíveis, não atingindo as batidas emocionais tão bem quanto poderia. Isso é amplificado pela estranha dissonância entre as sensibilidades aparentes: o filme é voltado para um público jovem, mas têm uma mensagem bizarramente antiquada, que não ressoa devidamente com essa geração (e chega até a parecer antitética de vez em quando).

Apesar de estar sendo um pouco chato aqui, não sinto que Ruby Gillman, Teenage Kraken é um filme ruim; diria até que ele está acima da média no que tange à Dreamworks (pelo menos na sua fase The Boss Baby e Trolls). Mas as intenções da produção parecem não ter se concretizado integralmente, soando como algo lançado às pressas para aproveitar a temporada de verão norte-americana e o lançamento de The Little Mermaid, com o qual obviamente divide algumas temáticas – Chelsea, aliás, aparece de modo proeminente nos materiais promocionais e tem uma óbvia semelhança com a protagonista da Disney.

Com isso, Ruby Gillman, Teenage Kraken é uma animação simpática e tem aquele “clima família”, não se preocupando em ser revolucionário ou algo do tipo. Entretanto, considerando o quão ambiciosas as produções mais recentes da Dreamworks pareciam ser, é difícil não sentir que esse foi um passo para trás. Não é uma produção que vai ser achincalhada, mas também duvido que será muito lembrada.

Outras divagações:
The Croods
Vivo

Texto: Vinicius Ricardo Tomal
Edição: Renata Bossle

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