Em resenhas sobre filmes, é comum aparecerem frases no sentido de “dá para esperar para ver em casa”. Afinal, basta aguardar dois ou três meses para que uma produção que acabou de estrear nos cinemas chegue a algum serviço de streaming que você já paga. Ou seja, não vale a pena gastar com ingresso, transporte (e/ou estacionamento) e, eventualmente, uma pipoca.
Uma exceção comum a isso são os filmes sobre espaço, especialmente os mais reflexivos. É complicado recriar a atmosfera adequada para esse tipo de obra em casa, com telas menores, qualidade de som pior e as distrações que surgem a todo momento. Project Hail Mary se encaixa bem nesse nicho e, por isso, fico feliz de ter tido a oportunidade de assistir em uma boa sala de cinema (sim, eu demorei um bocado para escrever esse texto e ainda mais para publicá-lo).
Ryland Grace (Ryan Gosling) é um astronauta que não parece estar lá muito bem preparado para a missão – mas todo o contexto ao seu redor é bem estranho. Como alguém que acorda em uma casa desconhecida depois de uma noite de bebedeira, ele simplesmente desperta sem memória em uma nave sem tripulação. Assim, seus dias são tomados por tentar entender como as coisas funcionam e o que exatamente ele está fazendo ali.
Aos poucos, as lembranças vão retornando. Grace se recorda de ser um professor de educação infantil sem muito prestígio. Ele também lembra de dias na companhia de Eva Stratt (Sandra Hüller), que está reunindo cientistas para tentar entender um estranho fenômeno espacial, que está “adoecendo” estrelas por todo o universo – e que já chegou ao Sol. Mas ainda há muitas peças faltando.
Ainda assim, ele descobre o suficiente para entender qual é o seu objetivo, ainda que não saiba muito bem como executar o que é necessário. Sua sorte tem uma virada quando ele encontra uma ajuda inesperada ao mesmo tempo em que descobre uma nova forma de vida. Não demora para que Grace crie fortes laços de amizade com Rocky (voz de James Ortiz) e, juntos, eles tentam descobrir como manter suas estrelas saudáveis.
Dessa forma, Project Hail Mary é um filme com uma escala grandiosa (ele é realmente muito bonito), mas que tem uma mensagem bastante simples sobre as pessoas, o poder da amizade e da colaboração, a engenhosidade humana, e a capacidade de abnegação. Pensando bem, talvez não seja algo tão simples assim. Mas também não é nenhum tratado filosófico – veja bem, é uma produção estrelada por Ryan Gosling.
Dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, o longa-metragem não tem pretensões de ser um grande drama feito para acumular premiações (embora ele vá ganhar algumas). O protagonista é um cara atrapalhado e (aparentemente) incompetente, mas que se esforça. É como se essa fosse a versão “light” de filmes que você já viu antes, mas mantendo o capricho técnico e a trilha sonora de impacto. É ficção-científica, mas com uma pitada de aventura, outra de comédia e personagens com quem o público (acha que) pode se identificar.
Dito isso, acredito que Project Hail Mary ainda deve funcionar muito bem na TV da sua casa. No final das contas, a mensagem do filme independe de toda a pirotecnia ao seu redor (diferente de produções como Gravity, por exemplo, que demanda algo mais imersivo). Com certeza, não será a mesma coisa e muito do deslumbre visual irá se perder, mas seguirá sendo interessante.
Outras divagações:
21 Jump Street
The Lego Movie
22 Jump Street

Comentários
Postar um comentário