Divagações: Kobayashi-san Chi no Meidoragon Samishigariya no Ryû

Kobayashi-san Chi no Meidoragon Samishigariya no Ryû

Uma vida equilibrada tem doses de esforço físico, de enriquecimento pessoal, de convívio com pessoas que nos fazem bem, de trabalho e, claro, de descanso. Kobayashi-san Chi no Meidoragon Samishigariya no Ryû, definitivamente, pertence à última categoria. A premissa é bizarra – e, convenhamos, bastante boba –, mas essa também é uma daquelas produções que servem para manter o coração quentinho. 

Para completar, já adianto que esse filme realmente parece apenas um episódio alongado da série, com pouco mais de uma hora e meia de duração. Ou seja, quem já gosta vai continuar gostando (e quem não gosta não precisa nem se convencer a tentar dar uma chance).

Mas e quem ainda não conhece? Em resumo, Kobayashi (Mutsumi Tamura) é uma mulher normal que morava sozinha até que, por algum motivo, a poderosa dragoa Tohru (Yûki Kuwahara) se encanta por ela e decide para passará a viver em sua casa, trabalhando voluntariamente como empregada doméstica.

A partir disso, não demora muito para que toda uma comunidade de dragões se forme ao redor desse inusitado par. Um dos destaques é Kanna (Maria Naganawa), que se parece com uma aluna de educação infantil em sua forma humana e que também passa a morar no apartamento de Kobayashi.

Kobayashi-san Chi no Meidoragon Samishigariya no Ryû, por sua vez, dá um espaço para o drama de Kanna, que foi exilada por seu pai após um acidente envolvendo uma joia muito poderosa. Aconselhado pelo misterioso humano Azad (Nobunaga Shimazaki), o poderoso dragão-urso Kimun Kamui (Fumihiko Tachiki) decide demandar o retorno da filha, pois seu povo está prestes a entrar em guerra e ele acredita que necessita dos poderes da tal joia – os quais, ela absorveu.

Tudo isso, no final das contas, serve para exaltar o poder da família que escolhemos em detrimento de vínculos de sangue que não são acompanhados por afeto. Ao mesmo tempo em que permitem que Kanna faça suas próprias escolhas, Kobayashi e Tohru estão sempre por perto, lutando (às vezes, literalmente) pelo bem-estar da pequena dragoa.

Assim, por meio de uma roupagem legal e uma diversidade de dragões, Kobayashi-san Chi no Meidoragon Samishigariya no Ryû não passa de um filme fofo e com uma mensagem acolhedora. Ele é bastante delicado em como retratar essas frágeis relações familiares (ou quase isso), inclusive evitando dar nomes fortes, o que é uma decisão bem sensível por si só.

Como se não bastasse, a animação tem o selo de qualidade da Kyoto Animation, que sempre entrega um resultado fluído e caprichado; e, aqui, o orçamento deve ter sido reforçado em relação a um episódio comum para a televisão. Eu não sou especialista na análise de cenas de ação, mas garanto que elas são bastante inventivas, exageradas e divertidas – afinal, a comédia segue sendo um foco importante (como deve ser, vide a premissa original bizarra).

Talvez o único “porém” de Kobayashi-san Chi no Meidoragon Samishigariya no Ryû seja o fato de que a história realmente está centrada em Kanna, de modo que vários personagens relevantes se tornam apenas participações especiais (mas não se preocupe: eles estão presentes). Eu, particularmente, senti falta de um pouco mais de Tohru, mas sei que sempre posso voltar para a série para isso.

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