Para encerrar o ano, nada melhor do que uma passadinha no IMAX (desde que você tenha comprado os ingressos com antecedência, claro) para ver a estreia com mais “cara de férias” desse mês de dezembro: Avatar: Fire and Ash. A essa altura do campeonato, todo mundo já está bem ciente de que a série criada por James Cameron tem mais proezas técnicas do que conteúdo, mas isso é o suficiente para seguir lotando as salas de exibição.
Continuação direta do filme anterior, o longa-metragem se opõe a Avatar: The Way of Water no sentido de que toma fôlego e narra sua aventura com pouco espaço para respirar – para quem não se lembra, o antecessor tinha longas sequências em que os personagens simplesmente exploravam o novo ambiente e nada acontecia. Além disso, o novo filme também resolve muitas pontas soltas, fechando dilemas que tinham ficado em aberto. Assim, embora não encerre verdadeiramente a história, também não deixa aquela sensação de que tudo ficou pela metade.
Em Avatar: Fire and Ash, Jake Sully (Sam Worthington) e sua família estão lidando com o luto após a perda do filho mais velho (Jamie Flatters). O pai está mais fechado; a mãe – Neytiri (Zoe Saldaña) – ocupa-se com orações e tradições; Lo'ak (Britain Dalton) vive com culpa; Kiri (Sigourney Weaver) sente-se presa a suas limitações e incompreensões; Spider (Jack Champion) tenta seguir, mas sabe que sua presença é cada vez mais incômoda para os adultos; e Tuk (Trinity Jo-Li Bliss) apenas sofre com tudo isso, sem poder fazer muita coisa.
Mas o período para lamentações não é livre de preocupações. Em uma tentativa de diminuir os riscos relacionados à presença de Spider, o grupo é atacado pela tribo liderada por Varang (Oona Chaplin), conhecida por seu controle do fogo, e também é localizado por Quaritch (Stephen Lang), que segue com a intenção de capturar Jake. Isso gera uma aliança inesperada e cria mais riscos para o clã e para a vida selvagem marinha de Pandora.
Dessa forma, Avatar: Fire and Ash mantém seu foco na família de uma forma mais ampla, afastando-se de seu protagonista inicial, o que possibilita que a produção explore o drama de diferentes ângulos. O recurso – que poderia simplesmente soar brega em outros contextos – funciona principalmente porque o cenário é um mundo de fantasia e porque o conflito é, simultaneamente, maior do que os próprios personagens e intrínseco a eles.
No entanto, a estratégia não é livre de problemas. Com as estruturas familiares fraturadas, cada um tem uma jornada própria para concluir e o grupo se dispersa ao longo do filme, de modo que o espectador chega a passar um longo período sem saber o que está acontecendo com determinado personagem. Além disso, embora as coisas caminhem para um confronto final único, alguns caminhos são naturalmente mais interessantes que outros.
De qualquer modo, Avatar: Fire and Ash consegue manter um ritmo mais interessante que seu antecessor, completando suas mais de três horas com várias sequências de ação. Visualmente, o longa-metragem segue sendo interessante e muito bonito, merecendo ser assistido em um local com boa qualidade de som e imagem. Inclusive, estou ciente de que continuo a ver estes filmes porque tenho o privilégio de ir a uma boa sala de cinema, pois a minha televisão de casa não proporcionaria o mesmo impacto.
Infelizmente, isso não impede que a trama siga cheia de buracos e que a história acabe acrescentando pouco em relação ao grande dilema central. Os humanos seguem querendo explorar Pandora e as batalhas demandam demais, com uma resistência que parece distante de vencer a guerra. Pessoalmente, eu ainda me incomodo com as decisões relacionadas à personagem de Zoe Saldaña, que “andou para trás” em relação ao primeiro filme.
Assim, não sei qual é o caminho esperado para os próximos dois filmes, mas acho que o escopo precisa se tornar politicamente mais amplo para que tudo se encaminhe para uma conclusão. Por enquanto, Avatar: Fire and Ash é uma opção divertida para as férias e um entretenimento que não demanda muito comprometimento (além de tempo e do dinheiro do ingresso).
Outras divagações:
Avatar
Avatar: The Way of Water
Comentários
Postar um comentário