Divagações: The Devil Wears Prada 2

The Devil Wears Prada 2

Em um mundo onde o saudosismo tem um peso gigantesco, eu tinha receio do que poderia acontecer com The Devil Wears Prada 2. O primeiro filme tem diversas falas icônicas, figurinos marcantes, personagens inesquecíveis e… muitos pontos a serem debatidos sobre emprego, relacionamentos e outras coisas mais. Ou seja, havia um conteúdo real em meio às bolsas caras e à comédia.

Assim que este novo longa-metragem começou e eu entendi para onde o roteiro de Aline Brosh McKenna queria ir, entendi que a produção optou por fazer a coisa certa. As personagens estão 20 anos mais velhas e seus dilemas foram devidamente atualizados. Como jornalista, confesso que sofri em solidariedade a diversas das agruras retratadas – eu também vi as revistas impressas sumirem, afinal de contas.

Afastada do mundo da moda há algum tempo, Andy Sachs (Anne Hathaway) recebe uma inesperada oportunidade de voltar para a equipe da Runway e trabalhar como editora sob a coordenação de Miranda Priestly (Meryl Streep). Ainda que este não seja o emprego de seus sonhos, ela está precisando – e o salário é interessante. 

A nova posição a reconecta a velhos conhecidos, como Nigel (Stanley Tucci) e Emily (Emily Blunt), mas também traz uma série de novos desafios. Assim, além de lidar com uma liderança de personalidade difícil, ela precisa encarar como a crise do jornalismo chegou a uma revista tradicional e, aparentemente, inabalável.

Com isso, The Devil Wears Prada 2 traz o mundo da moda sob um novo ponto de vista. Sai de cena a autoridade capaz de determinar quais tendências irão realmente vingar e entra a necessidade de mostrar os motivos pelos quais uma publicação deve se manter em pé. Por mais que a produção siga sendo uma comédia (e não um tratado sobre a importância do jornalismo), ela consegue divertir justamente por construir seu humor sobre questões reais.

Nesse ponto, entram em cena também os relacionamentos. Enquanto no filme anterior a jovem Andy lidava com um namorado carinhoso, mas que não compreendia suas ambições profissionais e o motivo de seus esforços, agora ela é uma mulher que sabe o que quer e, portanto, solteira. Mas, como queremos a nossa protagonista sendo feliz, há um interesse romântico interessante à vista (Patrick Brammall).

Miranda e Emily, por sua vez, apresentam um contraponto interessante. A primeira segue em sua parceria de longo prazo (Kenneth Branagh), que aparentemente está em uma fase mais harmoniosa do que a vista anteriormente. Já a segunda segue determinada a alcançar seus objetivos e, dessa vez, eles envolvem um milionário (Justin Theroux) que tem uma ex-esposa muito mais interessante que ele (Lucy Liu).

Sinceramente, só o tempo dirá se The Devil Wears Prada 2 vai se manter relevante e se suas falas serão dignas de serem lembradas 20 anos depois – quando eu vi o primeiro filme nos cinemas, eu jamais imaginaria que ele iria além de uma produção divertida e/ou que marcaria tantas pessoas. Mas eu também sei que, como em toda continuação, o impacto será reduzido em relação ao original e as comparações serão inevitáveis. Ainda assim, desejo boa sorte para essa produção, pois acredito que ela está com o coração no lugar certo.

Para completar, também acho que o filme conseguiu trazer várias referências bem colocadas (sem exagerar) e que o número relevante de participações especiais vai trazer seu próprio burburinho. Dessa forma, não acho que os executivos precisam se preocupar muito com as bilheterias. The Devil Wears Prada 2 é digno de capa de revista.

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