Eu frequentemente busco por comédias que fogem do usual. Muitas vezes, elas não são exatamente engraçadas, mas ao menos não são dramas pesados. Esse é o caso de El rostro de la medusa, que é uma dessas produções difíceis de classificar. A premissa beira uma ficção-científica, mas a abordagem não segue por esse caminho.
A história acompanha Marina (Rocío Stellato), uma jovem professora universitária que alega que seu rosto mudou a ponto de ela parecer outra pessoa – nem mais bonita, nem mais feia, só outra pessoa. Ela está tão abalada por conta disso que parou de ir trabalhar e saiu da casa onde morava com o namorado (Vladimir Durán), voltando a viver com os pais e a avó.
Alternando entre consultas médicas e burocracias – afinal, ela precisa de novas fotos nos documentos –, Marina tenta se redescobrir e entender o que aconteceu. Sua rotina passa a envolver muitas visitas a museus, mergulhos profundos em álbuns de família e um caso com um estudante (Federico Sack).
Com isso, El rostro de la medusa pode ser facilmente lido como uma metáfora. Embora a situação em si seja absurda, ela é encarada como um evento traumático que afetou apenas a protagonista. Por mais que a família e diversos outros personagens sejam solidários, eles mantêm um afastamento e têm um envolvimento limitado, inclusive com alguns momentos de impaciência. Querendo ou não, Marina precisa superar sozinha e em seu próprio ritmo.
Para explorar isso, a diretora e roteirista Melisa Liebenthal usa uma abordagem quase documental. Inclusive, embora esse seja um filme bem curto – com 1h15 de duração –, boa parte do tempo é dedicada aos passeios de Marina por museus e zoológicos, com o olhar da câmera voltado diretamente para os rostos que ela encontra pelo caminho.
Aliás, confesso que essas imagens que não envolvem os personagens são tão presentes que cheguei a ficar um pouco incomodada. Em alguns momentos, minha sensação era de que El rostro de la medusa era um curta-metragem que foi propositalmente alongado por algum motivo.
De qualquer forma, outra leitura possível é justamente essa questão do olhar (algo bem mais subjetivo, diga-se de passagem). A produção aborda tanto a percepção de Marina sobre si mesma – incluindo a definição de sua própria identidade – quanto o incômodo que ela sente do olhar alheio.
O efeito é evidenciado pela forma como os outros encaram a protagonista, algo que é expresso a partir de diversos ângulos. Há quem tenha dificuldades de relacionar o novo rosto à pessoa já conhecida; quem tenha se adaptado rapidamente; quem veja e esteja disposto a passar por cima disso; quem perceba como uma grande aventura; quem apenas estranhe; e mesmo quem sequer tenha notado a mudança.
Como El rostro de la medusa lida com o absurdo, entendo que ele tenha sido inicialmente classificado como uma comédia – e há situações realmente engraçadas. Mas eu não consigo ver a produção dessa forma. Para mim, é praticamente um mergulho filosófico, desses que levantam muitas questões e que (ainda bem) não respondem nada com muita clareza.
A história acompanha Marina (Rocío Stellato), uma jovem professora universitária que alega que seu rosto mudou a ponto de ela parecer outra pessoa – nem mais bonita, nem mais feia, só outra pessoa. Ela está tão abalada por conta disso que parou de ir trabalhar e saiu da casa onde morava com o namorado (Vladimir Durán), voltando a viver com os pais e a avó.
Alternando entre consultas médicas e burocracias – afinal, ela precisa de novas fotos nos documentos –, Marina tenta se redescobrir e entender o que aconteceu. Sua rotina passa a envolver muitas visitas a museus, mergulhos profundos em álbuns de família e um caso com um estudante (Federico Sack).
Com isso, El rostro de la medusa pode ser facilmente lido como uma metáfora. Embora a situação em si seja absurda, ela é encarada como um evento traumático que afetou apenas a protagonista. Por mais que a família e diversos outros personagens sejam solidários, eles mantêm um afastamento e têm um envolvimento limitado, inclusive com alguns momentos de impaciência. Querendo ou não, Marina precisa superar sozinha e em seu próprio ritmo.
Para explorar isso, a diretora e roteirista Melisa Liebenthal usa uma abordagem quase documental. Inclusive, embora esse seja um filme bem curto – com 1h15 de duração –, boa parte do tempo é dedicada aos passeios de Marina por museus e zoológicos, com o olhar da câmera voltado diretamente para os rostos que ela encontra pelo caminho.
Aliás, confesso que essas imagens que não envolvem os personagens são tão presentes que cheguei a ficar um pouco incomodada. Em alguns momentos, minha sensação era de que El rostro de la medusa era um curta-metragem que foi propositalmente alongado por algum motivo.
De qualquer forma, outra leitura possível é justamente essa questão do olhar (algo bem mais subjetivo, diga-se de passagem). A produção aborda tanto a percepção de Marina sobre si mesma – incluindo a definição de sua própria identidade – quanto o incômodo que ela sente do olhar alheio.
O efeito é evidenciado pela forma como os outros encaram a protagonista, algo que é expresso a partir de diversos ângulos. Há quem tenha dificuldades de relacionar o novo rosto à pessoa já conhecida; quem tenha se adaptado rapidamente; quem veja e esteja disposto a passar por cima disso; quem perceba como uma grande aventura; quem apenas estranhe; e mesmo quem sequer tenha notado a mudança.
Como El rostro de la medusa lida com o absurdo, entendo que ele tenha sido inicialmente classificado como uma comédia – e há situações realmente engraçadas. Mas eu não consigo ver a produção dessa forma. Para mim, é praticamente um mergulho filosófico, desses que levantam muitas questões e que (ainda bem) não respondem nada com muita clareza.

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