A história é levemente baseada na vida de John Bishop, um comediante britânico que talvez os fãs de Doctor Who conheçam, mas que está longe de ser famoso deste lado do Atlântico. Além disso, Is This Thing On? é muito menos sobre stand-up do que os materiais promocionais dão a entender.
Apesar de ter um grande respeito pela cena de comédia nova-iorquina – e a participação de vários comediantes famosos no circuito –, a produção captura muito bem a faceta menos glamourosa e mais pé no chão da cidade. No final, o longa-metragem acaba sendo muito mais uma dramédia sobre relacionamentos e como as pessoas podem encontrar significado nas suas vidas por meio da arte.
Alex Novak (Will Arnett) é um sujeito com uma vida bem consolidada, com dois filhos e um bom trabalho no setor financeiro; mas essas aparências escondem um casamento infeliz e à beira da ruína. Quando sua esposa Tess (Laura Dern), uma ex-jogadora de vôlei olímpica que não consegue lidar bem com o fim da carreira, propõe o divórcio, ela coloca a vida de Alex em um espiral descendente. Durante a fossa, ele acidentalmente descobre na comédia um mecanismo quase que terapêutico para lidar com a situação, encontrando uma comunidade no stand-up e ressignificando sua vida. Assim, ele é levado a repensar sua relação com Tess e com a família.
Is This Thing On? funciona totalmente nas costas da performance de Will Arnett e de Laura Dern, ambos entregando um trabalho bastante sólido tanto no drama quanto na comédia. Talvez seja possível dizer que a atuação de Arnett bebe um pouco demais em seu trabalho em Bojack Horseman, mas a natureza contida do filme e esse senso mais pessoal da direção dão uma dimensão mais vivida ao personagem, que passa bem a ideia de um cara comum que encontrou uma válvula de escape artística na vida. Dern, mesmo não tendo um material tão interessante para trabalhar, convence nos seus próprios dramas e tem uma boa química com Arnett, tornando tudo muito verossímil.
Inclusive, isso é algo bom de ser mencionado. Cooper tem uma direção extremamente enxuta nesse filme e prefere deixar que o roteiro e os atores falem por si. Existe pouca experimentação visual, mas é tudo tão cru que funciona na escala proposta de lidar com a vida de gente comum, com problemas como quaisquer outros – é um trabalho meio seco, mas que funciona bem nesse contexto. Infelizmente, não dá para dizer o mesmo sobre a sua atuação, já que Balls, o personagem secundário que Cooper interpreta, é facilmente a pior parte do filme, destoando de todo o clima intimista que o resto do elenco produz.
Competente, mas não revolucionário, Is This Thing On? é um daqueles filmes que funciona mesmo em sua previsibilidade e simplicidade; é agradável de se ver, eficiente na sua história e emocionalmente satisfatório. É uma produção totalmente honesta e vejo muito mérito nisso, apesar de admitir que gostaria que fosse um pouco mais engraçado, especialmente considerando o seu tema.
Mas, no fim das contas, isso não subtrai do que ele faz bem. Não acho que esse seja um filme para correr aos cinemas ou que seja um grande acontecimento, mas é o tipo de filme “médio” que vem se tornando mais incomum e que certamente vai ser um programa agradável para quem resolver dar uma chance.
Outras divagações:
Maestro
Texto: Vinicius Ricardo Tomal
Edição: Renata Bossle

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