Por mais que a DreamWorks Animation tenha feito algumas coisas interessantes nos últimos anos (cof, cof, Chip 'n Dale: Rescue Rangers), fazia tempo que eu não via empolgação em relação a um lançamento do estúdio. Felizmente, apareceu The Wild Robot, com um bom elenco e uma história fofa e original (no sentido de que, para variar, não se trata de uma continuação).
Baseado em um livro de Peter Brown, o longa-metragem tem direção e roteiro de Chris Sanders, um dos nomes mais interessantes da animação mainstream estadunidense. Ainda que eu sinta falta de um estilo visual mais marcado, a produção é bastante detalhada e é acompanhada de várias sequências criadas para encher os olhos e garantir momentos de maravilhamento, especialmente por meio do contraste entre a protagonista e seu entorno.
De modo geral, a história acompanha a robô Roz (Lupita Nyong'o), que é ativada por acidente em uma ilha onde não há qualquer população humana. Sem entender o que está acontecendo, ela decide aprender a linguagem dos animais e começa a buscar por tarefas para fazer, mas acaba apenas criando confusões e inimizades.
Após um terrível acidente, Roz é encarregada de cuidar de Brightbill (Boone Storm e Kit Connor), um ganso órfão e claramente menor que os demais. No processo de cumprir sua missão – fazer o pequeno aprender a se alimentar, nadar e voar a tempo para a migração –, ela precisa lidar com a constante presença da raposa Fink (Pedro Pascal), que tem seus próprios interesses.
Com isso, The Wild Robot não tem uma trama exatamente inovadora, mas consegue levantar seus temas com carinho e respeito. A produção fala sobre famílias criadas por um laço que não é o de sangue, sobre a importância de comunidades, sobre lidar (e aprender) com o diferente, sobre amizade, sobre crescer (e amadurecer) e sobre amor. Talvez isso seja trazido de uma forma didática demais ou falte profundidade, mas, sinceramente, está ótimo!
Outra característica do longa-metragem é aquela busca pelo equilíbrio entre comédia e drama. Embora exista uma tendência para a segunda opção, há vários momentos engraçados e que garantem um bom entretenimento. Considerando a fofura geral, acredito que as crianças vão se manter atentas por um bom tempo.
Já para os adultos acostumados com toda uma gama de filmes sobre robôs “desafiando” suas programações com o poder do amor (ou algo similar), The Wild Robot talvez seja uma das opções menos profundas. Não há grandes dilemas éticos ou emocionais – nem qualquer conversa sobre o perigo real de um robô capaz de se reprogramar – e a vilã (Stephanie Hsu) é apenas uma grande corporação. Se você busca por algo que traga um estímulo intelectual maior, acho que esse realmente não é o caminho.
De qualquer modo, em meio a tantas continuações e a uma carência criativa (não apenas no mundo da animação), The Wild Robot surge como a demonstração de que é possível fazer algo capaz de atrair o carinho do público. Se um filme que, em outros contextos, poderia ser “meramente fofo” consegue ter uma torcida para o Oscar, imagine só o que uma obra realmente inovadora seria capaz de alcançar.
Outras divagações:
How to Train Your Dragon
The Croods

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