Acho que não é segredo para ninguém o fato de que Practical Magic não é exatamente um bom filme. Ainda assim, ele tinha seu apelo. Era baseado em um livro de sucesso, trazia duas atrizes muito famosas como protagonistas e, bom, era sobre bruxas adultas, permitindo um resultado que era simultaneamente, mágico, sério, misterioso, romântico e meio perturbador (pensando bem, esse talvez seja um dos problemas da produção).
No meu caso, minha relação com o filme envolve a compra do primeiro aparelho de DVD lá de casa: sim, ele veio de brinde. Como a vontade de assistir a um filme e a verba para gastar na locadora não eram exatamente compatíveis, a produção se tornou uma constante na televisão da sala – e com o apoio do meu pai, que era fã de Sandra Bullock.
Assim, fui ao cinema ver Practical Magic 2 perfeitamente ciente de que estava sendo motivada pela nostalgia. E, dito isso, acredito que a produção entregou exatamente o que esse público saudoso esperava: uma história muito similar à original, um clima de magia misturado com coisas meio macabras, um grupo de mulheres divertido e defensor da sororidade, uma pitada de romance e homens que não são confiáveis.
Como eu disse, a sinopse não traz muitas novidades. Sally Owens (Sandra Bullock) é uma bruxa que decidiu se afastar dos feitiços porque não quer que suas filhas sofram, em uma decisão muito criticada por sua irmã Gillian (Nicole Kidman) e suas tias (Dianne Wiest e Stockard Channing), que seguem convivendo com a magia normalmente.
O detalhe é que, ao esconder isso das meninas, ela também oculta a informação de que elas fazem parte de um clã amaldiçoado: caso se apaixonem por um homem, ele morre. As coisas desandam quando a universitária Kylie (Joey King) percebe que está realmente gostando do romântico inveterado Gideon (Xolo Maridueña) e, bom, algo acontece com ele.
Em uma tentativa de quebrar a maldição, Kylie deixa seu amado sob os cuidados da irmã Antonia (Maisie Williams), que é residente em um hospital, e parte para a Inglaterra, onde encontra a ajuda inesperada de um rapaz, Tom Lockland (Solly McLeod). Desesperadas, sua mãe e sua tia vão atrás e, por sua vez, buscam o apoio de um charmoso estudioso de maldições, Ian Wright (Lee Pace).
Com isso, a trama de Practical Magic 2 ignora qualquer desenvolvimento de personagem do filme anterior e voltamos para a estaca zero, onde erros são repetidos e os mesmos desafios precisam ser superados. Em contrapartida, temos Nicole Kidman sendo magra, loira, linda e celebrante da liberdade descomprometida a todo momento, enquanto Sandra Bullock é a moça certinha que sabe flertar como ninguém.
Além disso, enquanto a geração das tias parece estar se despedindo, as recém-chegadas ainda não mostraram exatamente a que vieram. Uma boa parte do apelo do filme de 1998 era a relação de amizade entre duas irmãs muito diferentes (tanto fisicamente quanto em personalidade), mas essa repetição temática é apenas sugerida nesta continuação.
Explicando melhor. Embora as diferenças estejam presentes, não existe nenhum tipo de atrito decorrente delas. Para completar, as duas irmãs mais novas passam boa parte da história fisicamente separadas. Ou seja, o foco nas protagonistas originais foi mantido com rigor.
Caso a proposta seja meramente reunir o elenco e celebrar o filme anterior, acredito que Practical Magic 2 cumpre seu objetivo em parte – afinal, a ausência das atrizes que interpretaram as meninas anteriormente gerou uma boa dose de polêmica (eu entendo que as idades não batem com a história, mas podia ter rolado uma participação especial). Ainda assim, um público nostálgico deve se divertir.

Comentários
Postar um comentário